Causas da oposição do
«Rei do Vinho - Baco» à epopeia dos Lusos

Comunicação à Secção «Luís de Camões»
da «Sociedade de Geografia de Lisboa»
pelo sócio Abel de Lacerda Botelho
Abril de 2013


CAPITULO I

Porque é que BACO se quis opor à Viagem de Vasco da Gama à Índia? Qual a causa de tanto receio, de tanto medo, de tanto ódio que levou BACO a opor-se ao êxito da gente Lusa? O que é que o levou, inclusive em dois consílios dos deuses, a tentar que Júpiter e Neptuno não permitissem ao Gama chegar à Índia???

Porque é que “O Rei do Vinho – BACO” queria impedir à Gente Lusa, aos seus Barões assinalados, ao Rei de Portugal, que eles fossem expandir por todo o orbe terrestre, a Fé e o Império?

Porquê?

Claro que Luís de Camões conhecia essas razões. E não fugindo a tal “drama”, que poderia ter redundado em verdadeira “tragédia”, descreve-nos em “Os Lusíadas” - embora através de certo “ocultismo” - quais as intenções de Baco que o levaram até a tentar opor-se ao próprio Júpiter e, já em “causa de desespero”, a pedir auxílio a Neptuno, que convocasse um segundo consílio dos deuses.

Na verdade, se os Lusos sempre foram “fiéis” e “bons servidores de Baco”, como, e porquê, este deus do Olimpo estava revoltado, e queria a todo o custo fazer obstáculo e impedimento, a que os Portugueses descobrissem o caminho marítimo para a Índia, e “entre gente remota edificassem novo Reino que tanto sublimaram”?

Se a Gente Lusa (e seus descendentes e aderentes) sempre foram dos “melhores fiéis” que Baco teve, porque é que Baco os quis prejudicar, e tão mal tratar?

Realmente:

Já na época do rei Afonso e mesmo antes da fundação do Reino, - já era – “este jardim à beira mar plantado”, um verdadeiro paraíso da vinha e do vinho. Desde a época Celta e dos Iberos, já a vinha se cultivava nas margens dos rios Minho, Douro e Mondego. Viriato descia com o seu povo, dos montes Hermínios, para apascentar no Inverno os seus rebanhos por entre os socalcos durienses, e ao Douro voltava no pico do Verão para colher as uvas, e fazer o vinho.

As suas “hostes”, antes de “emboscarem” e “darem vazio” nas tropas romanas, puxavam de seus “odres”, quais “cantis”, e orando ao deus “Endovélico” embebiam o pão em vinho, e o comiam cantando preces divinas, para que as forças celestiais não lhes faltassem. “E tais sopas” eram também dadas aos seus “ginetes” para que forças não faltassem às animálias, não só na altura do “ataque bélico” como sobretudo necessários para o “recuo estratégico”, exactamente como hoje ainda acontece com o cavalo lusitano amestrado no “toureio a cavalo”, em que o “touro” é a “personificação” do inimigo, quer do “romano encabrestado” quer da “troika judaizante”, e que só faz judiarias.

Os Romanos, após terem morto à traição Viriato, e depois Sertório, começam a utilizar o “segredo dos lusitanos” para melhor prepararem e darem “força vital” às suas “centúrias”, e às “quadrigas”. Este “segredo militar ibérico” foi inclusive utilizado por Cipião para vencer as tropas do Annibal.

A Ibéria passou a fornecer ao Império Romano sobretudo dois produtos: O Ouro (transmontano) e o VINHO dos vales do Minho, do Douro e do Mondego. Mais tarde, na época Visigoda, na Dinastia dos Ordonho (Ordonho I, II e III), estes estabelecem a capital do seu Reino ibérico, na margem direita do Douro, em zona alcantilada, onde ainda hoje existe a aldeia com a toponímia de “Ordonho”. Ainda hoje, os vinhos brancos produzidos nessa zona duriense, são “vinhos odoríferos”, fortes, cristalinos, de cor de ouro e com perfume a rosas, a rosmaninho e a esteva.

Castas de vinhos durienses foram levadas por vários centuriões e generais romanos da Sétima Legião Hispânica para a zona Catalã e Sul de França, tendo mesmo o “vinho do reino da Septimania” rivalizado com os Durienses, na passagem do 1º milénio.

Baco passou pois “milénios” a amar os seus devotos fiéis hispânicos, e destes sempre teve adoração, pois eles, SEMPRE foram fiéis e constantes praticantes da “religião vinícola” da “religião Baconiana - Dionisíaca”. E quão célebres e grandiosas bebedeiras, e famosas bacanais em terras celto-ibéricas, lusitanas e visigóticas foram tidas, praticadas, idolatradas por Reis, por Clérigos, pelos Nobres, e até democraticamente por toda a plebe, que não perdia oportunidade alguma para tal praticar.

É desde essa altura, que as lusitanas gentes sempre bebem o seu “vinho”, não só para dele se alimentarem, se fortificarem, e mesmo para celebrar suas alegrias e cometimentos bélicos, ou desportivos, como até e sobretudo para em tempos de crise e de sofrimento, se entregarem sem reserva nos braços de BACO – para ESQUECEREM as agruras e vilipêndios que a vida e o FADO, o malfadado FADO, lhes impõe de tempos a tempos.

E BACO sempre soube disso. E BACO sempre se riu, e se regozijou e sentiu feliz e realizado com tais bebedeiras, e grandes bacanais, que a Lusitânia gente fazia a propósito do que quer que fosse. Porque é pois, que BACO se voltava agora contra “o seu Povo”, os “seus fiéis” “os seus incondicionais seguidores e servos”? Porque é que ele quis impedir, e a todo o custo que “os seus adorados fiéis” chegassem à Índia? Vencessem os Mouros e os íncolas gentios?

Todos nós sabemos bem quem é Baco, ou Dionísio, mas perdoem-me relembrar aqui só um pequeno apontamento, para melhor o compreendermos. Baco – era filho de Júpiter e de Semele, que em virtude desta ter falecido prematuramente em fase de gravidez, “foi transportado para a coxa de seu pai Júpiter”, donde saiu após o termo da gestação. Educado pelas ninfas do monte NISA no Parnaso, foi desde jovem muito aventureiro e viajante, tendo mesmo feito imenso “turismo” pela Índia, o que explica a presença de tigres no seu cortejo, quando este é desenhado ou pintado.

Há pelo menos duas estátuas de «Baco-Indiano», uma no Vaticano outra em Paris.

Consta da mitologia Greco-Romana, que conforme Prometeu roubou do Olimpo o fogo, e o transmitiu aos Homens, o nosso Baco, transportou das paradisíacas terras Olímpicas a vinha, e a ofereceu aos mortais terrestres.Daí, o ele ser o Rei do Vinho.

O vinho e alguns produtos dopantes e alucinogénios, - quando ingeridos em grande quantidade - levam o homem a um estado de espírito, que embora consciente, o põe em contacto com o seu inconsciente, aumentando por vezes o seu desejo e vontade de viver situações anómalas, exacerbando o seu tónus sexual e erótico, que só se atenua no exercitar e na comunhão sexual com o, ou a companheira/o, de tal modo, que pode até levá-lo a querer “subir a telhados ou a trepar paredes”.

As alucinações provocadas por esses estimulantes são diferentes das ilusões. Na alucinação, as comoções normais dos neurónios são de tal modo alteradas, que os centros que dão as sensações luminosas são postos em actividade pelas impressões gustativas. Assim, o alucinado, vê coisas que não existem.

As alucinações observam-se nas intoxicações do sangue, - ou por via oral natural – (ingestão de vinho, álcool, beladona, ópio, coca, etc) ou por infecções originando febres e delírios.

Vamos ver pois, “com lusitana curiosidade” o que é que Luiz de Camões nos diz em “Os Lusíadas”, e se ele nos revela, nos desvenda esse mistério, esse segredo profundo de Baco - o Rei do Vinho – que o levou a ter querido impedir os Lusos de chegar à Índia.

CAPITULO II

Em todo o poema épico, a palavra VINHO só nos aparece em quatro versos. Em três deles de forma explicita, e de outra vez de forma implícita.

A) Canto VI Estrofe 14 – Verso 8
“Entre no reino da água – O Rei do Vinho”.
B) Canto VIII – Estrofe 75 – Verso 6
“O licor que Noé mostrara à gente”.
C) Canto IX – Estrofe 41 – Verso 2
“Com VINHOS odoríferos e rosas”.
D) Canto X – Estrofe 4 – Verso 31
“Os vinhos odoríferos, que acima,
Nos vasos
Crespas escumas erguem
Que no interno coração movem súbita alegria”.

E, não se pode deixar de realçar, que Camões inicia o seu poema épico dedicando três estrofes à preposição, seguida de uma dedicatória que abrange as quinze estrofes seguintes, e inicia a narração na estrofe 19, e logo, imediatamente a seguir, na estrofe vinte, começa o consílio dos deuses no Olimpo.

Canto I – Estrofe 20
“Quando os Deuses no Olimpo luminoso,
Se juntam em consílio glorioso
Convocados da parte de Tonante
Pelo neto gentil do velho Atlante”

Estrofe 21
“Ali se acharam juntos num momento”.

Estrofe 22
“Estava o Padre ali, sublime e dino
Com uma coroa e ceptro rutilante
De outra pedra mais clara que diamante”

E a partir da Estrofe 23
“Júpiter alto, assim dizendo.”

Começa por narrar o destino do V Império que está “fadado” para os Lusos, e fala das façanhas de Viriato e de Sertório.

Para concluir na estrofe 27
“Agora, vedes bem que, cometendo
O duvidoso mar nesse lenho leve
…………………………………
Inclinais seu propósito e porfia
A ver os berços onde nasce o dia”.

E termina Júpiter, por decretar (estrofe 29)
“Que sejam, determino, agasalhados
Nesta costa Africana como amigos,
E, tendo guarnecida a lassa frota,
Tornarão a seguir sua longa rota”.

Estava assim pois decidido e determinado por Júpiter, o favorecimento que os Deuses do Olimpo deveriam dar ao Gama para que ele prosseguisse na “sua longa rota”.

Nessa altura, e contra todas as previsões, o Rei do Vinho – Baco – o deus do Olimpo “adorado e venerado pela Lusa gente”, vá de se opor a Júpiter.

Estrofe 30
O padre Baco, ali não consentia
No que Júpiter disse, conhecendo
Que esquecerão seus feitos no Oriente
Se lá passar a Lusitana gente”.

E na Estrofe 31 Baco concretiza:
“Altamente lhe dói perder a glória
De que Nisa celebra inda a memória”.

E na estrofe 32 Baco finaliza
“Vê que já teve o Indo subjugado
E teme agora que seja sepultado
Seu tão célebre nome em negro vaso”.

É extraordinário, como Camões põe Baco “terrificado”, a ver-se já morto e cremado pelas forças da lusa gente, e suas cinzas metidas em urna funerária, em um “negro vaso”.

A esta atitude de Baco, se opõe porém Vénus (Estrofe 33)

“Sustentava contra ele Vénus bela
Afeiçoada à gente Lusitana”
Por quantas qualidades via nela
Da antiga tão amada sua Romana”

De seguida Marte, o deus da Guerra (estrofe 36) vem também em auxílio dos portugueses,
“Ou porque o amor antigo obrigava
Ou porque a gente forte o merecia”.

Estrofe 38
“E disse assim: O Padre, a cujo império
Se esta gente que busca outro Hemisfério
Cuja valia e obras tanto amaste,
Não queres que padeçam vitupério
Não ouças mais, pois és juiz direito”.

Aliás, o próprio Marte, também está admirado com a “oposição” feita por Baco, pois acrescenta:

“Bem para que aqui BACO os sustentasse,
Pois que de Luso vem, seu tão privado”.

E termina Marte dizendo:
“E tu, Padre de grande fortaleza
Da determinação que tens tomada
Não tornes por detrás, pois é fraqueza
Desistires da cousa começada”.

E assim, Júpiter decide a favor dos portugueses e encerra o consílio (estrofe 41)

“Como isto disse, o Padre poderoso
A cabeça inclinada consentiu
No que disse Mavorte valeroso,
E néctar sobre todos esparziu”.

Verifica-se assim, que Baco não queria que os Lusos levassem avante a sua epopeia pois tinha medo, que os feitos dele Baco que tinha feito no Oriente pudessem ficar “esquecidos” se por lá passasse a Lusitana gente. Pois “altamente lhe doía perder lá a sua glória, de que NISA ainda celebrava em memória”. Mas, afinal, que “Glória de Baco” era essa que ele tinha recebido no Oriente?Que fama sua estava eternizada em NISA?

Vamos ver:

Na verdade, NISA era uma cidade histórica e quase lendária da ÍNDIA antiga, já citada na literatura Grega como tendo sido conquistada por Alexandre Magno e teria sido fundada por BACO. Outra tradição Hindu, diz mesmo que NISA tinha sido consagrada a Dionísios – Baco. Mas se na Índia, e no Oriente o cultivo da vinha não era conhecido, nem o uso do vinho era praticado, que relação havia entre Baco e Nisa? Tanto mais que nesse hemisfério prevalecendo a religião do Islão, os seus fiéis estavam proibidos de beber tal líquido que “no interno coração moviam súbitas alegrias”? (Canto X – Estrofe IV – Verso 1 a 4).

E é aqui que Camões, de forma encoberta, mas implicitamente, nos ilumina, e nos dá a chave que começa a abrir o mistério sobre qual a razão porque Baco recebeu glória e fama no Oriente.

É que, o ingrediente de que Baco se serviu para inebriar a humanidade no Oriente, e de “no interior do coração fazer mover súbitas alegrias”. Não foi, afinal, pela dádiva do VINHO (“Bebida celeste dos deuses no Ocidente praticada”) mas foi sim através da dádiva da “verde folha da erva ardente”

Esta erva aromática, é alucinogénia, e ele fazia mastigá-la e ruminá-la pelos seus acólitos no Oriente.

“Afinal Baco tinha outra”, como diria o refrão da música popular-pimba que os lusos iriam recordar séculos mais tarde.

Afinal ele tinha Outra. Baco, afinal, não tinha só como amante, a Uva Negra ou Loira do Douro e do Mondego. Afinal o Bígamo do Baco, tinha outra amante: “a folha verde da erva ardente”.

E Camões, explicitamente refere tal alucinogénio – afrodisíaco no Canto VII Est. 58, exactamente quando refere a visita do Gama ao Samorim

“Bem junto dele (do Samorim) um velho reverente
Co’os giolhos no chão, de quando em quando
Lhe dava a verde folha da erva ardente
Que a seu costume estava ruminando”.

Estava pois encontrada a razão de ser do comportamento de Baco para com a Lusa gente, que até Marte não compreendera bem. Baco tinha medo que a sua glória e fama conquistadas no Oriente, à custa dos íncolas locais se inebriarem pela DROGA, através dessa “erva ardente” pudesse a vir a ser substituída pelo vinho que os portugueses para essas paragens iriam levar, e que então nesse caso os indianos iriam glorificar os lusos, ainda por cima, por causa de um produto celestial, que ele próprio Baco, tinha ofertado à Lusa gente no Ocidente.

Essa “folha verde de erva ardente” tinha e tem o nome de Betel, ou bétele, ou betle (vettila) e é uma planta sarmentosa e aromática da Índia, portadora de elementos alucinogénios e cujas folhas se mascavam, e existe nas regiões tropicais.

Realmente, uma “traição destas” nem um Deus do Olimpo poderia suportar. Aliás, Camões dá-nos a “prova provada” disto mesmo, quando no mesmo Canto VII na estrofe 75 nos narra na sequência da visita do Samorim à Nau do Gama:

“…..; mas o Gama
Lhe pedia primeiro que se assente
E que aquele deleite que tanto ama
A seita Epicureia experimente.
Dos espumantes vasos se derrama
O licor que Noé mostrara à gente;
Mas comer o Gentio não pretende
Que a seita que seguia lho defende”.
Assim se constata que Gama, que tão luso é,
Deleita-se com o vinho que tanto ama.

E por isso, ele quer e oferece ao Samorim tal “licor que Noé mostrara à gente”. O Samorim, porém, tal não prova porque a religião islâmica dele, a tal o proíbe. Baco, poderia pois, e em princípio, estar descansado, pois o “vinho” iria ter forte dificuldade em entrar no reino da NISA dele, onde o Samorim preferiu “mascar a verde erva ardente”, a ter de beber o vinho oferecido pelo Gama.

E realmente, levou séculos, para que tal acontecesse.

Em contrapartida, - e para felicidade de Baco – a gente lusa, passou a trazer do Oriente para Ocidente, não só a seda, o cravo e a canela, mas também, “a verde folha da erva ardente”.


CAPITULO III
A ILHA DOS AMORES e os métodos de VÉNUS e de BACO nela experimentados

Afinal, não foi só com “vinhos odoríficos e com rosas” “que o interior do coração dos nautas se moveram de súbita alegria” na Ilha dos Amores e que lhes despertou a caça às suas ninfas. Não, não foi só o “vinho odorífero” que tal efeito provocaram. Foram também, as “ervas secretas” que acabámos de referir.

Na verdade:

Porque é que Cupido, acerta com suas flechas nos corações dos homens (ou das mulheres)? E não lhes acerta noutra parte do corpo? E não há corpo, que não sinta grande dor, mal estar, e tristeza, quando é alvo de uma seta.

Bem, estão vejamos com atenção:

Se se quer “inflamar e dar vida e fogo amoroso a um corpo, ou órgão, tem de se aumentar nesse corpo ou órgão, o fluxo sanguíneo. Então, há que introduzir no sangue, e no sistema circulatório, “algo” que faça o sangue circular mais apressadamente. E esse “algo” que entra no sangue (e de forma rápida, só pode ser de origem alcoólica ou droga).

Pois, o ser amante, para aumentar mais o seu amor e desejo, pelo objecto amado, e rapidamente, ou bebe vinho ou tem de se drogar. Por isso Cupido – aos NAUTAS, só conseguia “excitá-los” se lhes introduzisse no sangue, algum alucinogénio ou, vá lá, um pequeno estimulante, apesar da “visão das ninfas belas” ser o maior excitante de todos. Então Cupido para tal conseguir teria de mergulhar a ponta das suas setas, ou no vinho ou na erva secreta ardente”. E depois, como é que Cupido, faria chegar “isso” ao sangue humano?

Ou por “injeções endovenosas” nas veias humanas, ou metendo “isso” logo no coração (motor da circulação sanguínea).

Como Cupido, estava só armado com arco e flecha, e não com “raios de lasers”, era para ele muito difícil acertar “nas veias dos humanos”. Não lhe restava outra alternativa que não fosse acertar num alvo maior, como é o coração. Assim, não só a probabilidade de êxito de pontaria seria muito maior, como o efeito e êxito, seria também muito maior, pois antes que o “bom veneno” chegasse ao coração, no caso de ter entrado por meio das veias, assim, ia logo directo ao motor sanguíneo.

E foi o que fez.


E
“Isto acontece às vezes, quando as setas
Acertam de levar ervas secretas”. (Canto IX est. 33)

Dê-se de novo a voz ao Poeta para tal confirmarmos:

Então Vénus,
“Seu filho vai buscar, porque só nele
Tem todo seu poder, fero Cupido, (Est. 23)

“Onde o filho frecheiro estava então
Ajuntando outros muitos, que pretende
Fazer uma famosa expedição”. (Est. 25)

“Muitos destes meninos voadores
Estão em várias obras trabalhando:
Uns amolando ferros passadores,
Outros hásteas de setas adelgaçando”. (Est. 30)

“Nas fráguas imortais, onde forjavam
Para as setas as pontas penetrantes”. (Est. 31)

É claro que as setas por Cupido desferidas, chagas nos corações irão criando.~Mas para curar as chagas, lá estavam as famosas Ninfas.

“Formosas Ninfas são as que curavam
As chagas recebidas, cuja ajuda
Não somente dá vida aos mal feridos,
Mas põe em vida, os inda não nascidos”. (Est. 32)

E isto tudo, varia conforme a chaga.

“Segundo a qualidade for das chagas
Que o veneno espalhado pelas veias
Curam-no às vezes ásperas triagas”.
Isto acontece às vezes, quando as setas
Acertam de levar ervas secretas”. (Est. 33)

“Destes tiros assim desordenados
……………………………………….
Nascem amores mil desconcertados” (Est. 34)

E os efeitos às vezes, dessas “ervas secretas” provocam tais instintos que:
“Uns, esperando andais nocturnas horas;
Outros, subis telhados e paredes” – (Estrofe 35).

Contudo, esta exaltação da paixão amorosa e provocada por tais “ardis” não normais, Camões nos confessa que

“mas eu creio que deste amor indino
É mais culpa a da mãe, que a do minino”. (Est. 35)

Camões sabia que Baco, não só inflamava “os amores ardentes” através do “vinho odorífero”, como também através das “ervas secretas ardentes”. Por isso, Baco tinha fundados receios de que a sua glória e fama no Oriente viessem a ser esquecidas não só face aos feitos “ilustre e grandíloquos” lá praticados pela Lusa gente, como, e sobretudo, porque “os seus fiéis aduladores“ e “consumidores da sua erva secreta ardente” viessem a esquecê-lo por se tornarem “escravos fiéis do vinho odorífero” que os portugueses não deixariam de lá introduzirem e expandirem.

Mas, todo o exposto é puro “folclore do olimpo” com que a musa lírica de Camões nos brindou e embebeceu. A razão profunda e teológica que terá levado Baco a opor-se, e a não querer permitir que a Gente Lusa ao Oriente chegasse, terá tido outro fundamento que não só o do “vinho” e o “das verdes ervas ardentes”. Terá sido sobretudo porque Baco tinha como seus adoradores em Nisa, e em toda a Índia, a gente “maumetana e gentia”.

“Um reino Maometa, outro Gentio
A quem tem o demónio leis escritas” (Canto X, est. 108)

E se os Lusos, de Deus e da Fé Cristã lá dessem testemunho, e divulgação, como aliás S. Tomé o já fizera, então estariam em perigo as religiões islamita e gentílicas, e com isso Baco perderia, pois seria fatalmente esquecido.

Pois se Deus existe, falso é tudo o mais: quer as seitas, quer as mitologias.

“Vendo os milagres, vendo a santidade
Hão medo de perder a autoridade”. (Canto X est. 112)

Por isso Camões desvenda:
“Choram-te, Tomé, o Ganges e o Indo;
Chorou-te toda a terra que pisaste;
Mais te choram as almas que vestindo
Se iam da santa Fé que lhe insinaste;
……………………………………………
Pedimos-te que a Deus ajuda peças,
Com que os teus Lusitanos favoreças” (Canto X est. 117)

Não há dúvida alguma, de que Camões sabia tudo e de tudo.

Camões foi um autêntico Génio, não só da Literatura como das Humanidades. Camões foi um vero Cavaleiro de Grão-Cruz da Suprema Ordem do Amor.

CAPITULO IV

TERCEIRO CONSÍLIO DOS DEUSES
QUE CAMÕES NÃO DESCREVEU EM “OS LUSÍADAS”


PORQUÊ UM TERCEIRO CONSÍLIO DOS DEUSES?

De acordo com a sabedoria cósmica e popular, não há “DOIS”, sem “TRÊS”. E isso porquê?

Na verdade “o vivente terráqueo” começa por ser um “DOIS”, pois DEUS o fez “Homem e Mulher”, e “as crias” do binómio homem-mulher iniciam-se sempre por uma célula formada por 2 cromossomas e não só por uma. E o ser humano, a partir desses dois cromossomas é que se forma e se desenvolve por uma multiplicação sempre em pares. O ser humano não se “auto-gere” ou “auto-cria” a partir de um só átomo ou partícula. Assim, o ser humano existe como um DOIS. E a partir daí, ou se DIVIDE, ou se MULTIPLICA.

E fá-lo sempre na “paridade”. Isto é: ou se subtrai por ele próprio, e então ANIQUILA-SE 2-2 =0=, ou se multiplica (seja ele que número for) e dá sempre origem à “paridade”, dá origem sempre a um número par. Por isso, para se saber qual o “resultado que no final” o ser humano que começou por ser um DOIS, veio a dar; ou, que “resultado foi a final” que um evento histórico, ou cósmico, veio a produzir, é necessário “ver”, “sentir” “desvendar” “visualizar”: o que é que a UNIDADE – o UM (que se auto-gerou e por isso é a única verdade existente e que pode criar VIDA) nos desvenda sobre a “autenticidade”, ou não, do 2 (dois) que está em observação.

Por isso, a vera conclusão do “destino” ou da “missão” ou do FIM de qualquer DOIS, está sempre inscrita no TRÊS (3) – que é o DOIS mais UM (2+1=3). NO CASO PRESENTE DE “Os Lusíadas” tal regra cósmica e de verdade, se mantém também. Tem de haver um “terceiro consílio” dos deuses, pois não podem ter havido – e sido convocados - só DOIS consílios, sem que tal deixasse de originar a necessidade da existência de um terceiro, no qual se desvendará qual o FIM do assunto ou matéria que foi objecto de atenção nos DOIS anteriores. E será nesse terceiro consílio, que a verdade cósmica sobre “A Epopeia Marítima da gente Lusa” que originou a globalização do mundo, tem de ser julgada”, para se saber o que é que “aquilo deu”.

Tem de se saber, se tal acontecimento histórico-cósmico trouxe evoluir positivo, e ascendente do comportamento civilizacional humano, e assim foi a matriz de um “DOIS que se Multiplicou”; - multiplicando a vida - ou, se pelo contrário, foi “o motor” da sua própria “aniquilação”, fruto de uma “subtração” consigo mesmo praticada.

E Luiz Vaz de Camões, que comigo teve três encontros dialogantes- Um primeiro pouco amistoso e rápido, tendo meu espírito ficado confuso ao ouvir Camões dizer-me:
“Porque vens perturbar a minha paz”?

Já nos outros DOIS encontros, Camões foi totalmente amistoso, cooperante, professor e profeta. Quanto a esta questão de se saber, se ele narrou, ou não, em “Os Lusíadas” um terceiro consílio dos deuses esclareceu:

“Claro que narrei - profetizando-o. E é por isso que o “meu CANTO”, constituído só de “dez cantos”, está “mutilado” e “distorcido”, pois pela Santa Inquisição os outros cantos foram postos a um canto. “Na verdade, eu tinha direito - comprovado e concedido por Alvará Régio que autorizou a publicação do meu Poema - a acrescentar mais alguns Cantos.“ E se o dito Luiz de Camões tiver acrescentado mais alguns Cantos, também se imprimirão avendo para isso licença do Santo Ofício, como acima é dito”.

“Contudo, as forças consubstanciadas na paridade do Nº 666, encarnadas na Besta da Inquisição, não me permitiram que o fizesse. E eu da edição do poema, os tive de retirar”. “Só agora, passados 515 anos sobre o evento luso “da Descoberta da Índia pelo Gama”, é que tal se pode dizer e difundir”.

“Por isso, Abel, tu que das letras lusas és seguidor e pastor, e às mãos de teu irmão Caim por isso sacrificado és, escreve em prosa – e não em verso, pois a tanto não te chega o engenho e muito menos a arte – o que te vou “des-vendar”:

Em primeiro lugar te clarifico, qual a razão porque só em 2013 é que tal consílio podia ser efectivado. Realmente, já que a BESTA (com o Nº 666) impediu tal divulgação, só com a presença da INEFÁVEL Encarnação Divina no Humano (com o Nº 515) é que tal será possível. Vê assim: 1498+515 = 2013. Só pois no ano de 2013 e na altura em que os humanos comemoram o sofrimento que o SANTO teve no Calvário e sua seguida Ressurreição, é que tal consílio será feito. Na verdade – Nosso Senhor Jesus Cristo – o Nazareno é o 515, pois Ele é o somatório de 155 (que representa o MICRO-COSMOS que resultou da queda do Homem – ou primeiro Adão – ao nível menor das “águas inferiores” ou da “existência vencida”) com o Nº 360 que é o valor em graus do círculo – a totalidade MACRO-CÓSMICA – daí resulta o 515. Repara que não é porém mais o “homem divinizado por um largo trabalho da purificação e da perfeição”. (155+360=515). Mas é sim, o do “Divino Encarnado no Homem”, cooperação esta, que depende somente da vontade Divina (360 +155 =515).

Aliás tal número, já fora encontrado na escola pitagórica, pois a Tetrakis (10) que é o somatório de 1+2+3+4=10 (1 verso 0), que ao ser IMPLODIDA pela UNIDADE DIVINA, parte-se e integra ESTA nele. Representa-se pois como duplo pentágono (X=V+V) com a Unidade Divina no meio: (V (I) V). Repara que com a “intromissão” divina, a Tetrakis não se divide em duas metades iguais de cinco cada uma, mas sim, se mantém UNA (V I V) = (515), que representa em pleno a Encarnação Divina no Humano.

Atenta também, que o DOIS (2) – O PAR - a existência criada – um duplo unido, atinge a sua pluralidade cósmica, quando elevada ao cubo: 2³=8, que é o número iminentemente feminino e maternal (o infinito na vertical), que elevado por sua vez ao cubo, o Nº 8 (8³), e se a esse resultado, somarmos a Santíssima Trindade (1+1+1=3) temos obtido exactamente o Nº certo – (8³ = (512)+3=515).

Por isso, houve a necessidade cósmica, de se ter realizado um terceiro consílio dos deuses – e desta vez convocados pelo próprio JÚPITER – e não por Baco. E tal, para se saber e julgar se a “EPOPEIA LUSA” – que como criação humana é um DOIS - se multiplicou, e se a “globalização do mundo” provocou uma “ascensão da civilização humana”, no caminho do Bem e da Paz, ou, se pelo contrário, tal globalização se “subtraiu” por si, e contra si própria, provocando então o “aniquilamento da saga humana na terra”. Vê pois, após 1498, se passou um tempo e agora se passa outro tempo:

1498+515 = 2013.

Então se saberá, qual o Juízo Final, que o “Cristo Redentor” terá de fazer, e qual a sentença que os seus “seres terrestres” – incluindo a Lusa Gente, terão inexoravelmente que cumprir. Aliás, nesse ano de 2013 – quando a ERA dos Peixes termina para dar entrada à ERA do Aquário, grande parte do que tem estado oculto ou encoberto, será desocultado e redescoberto.

Nesse ano mesmo, os Magos e Matemáticos (repara Abel que a letra inicial desses artífices é o M – que preconiza a “Mediação”, o “mediador” entre o oculto e o que se passa a conhecer) darão a conhecer ao Mundo o que eles julgavam ser a “partícula de Deus”. Mas afinal, para grande espanto deles não encontrarão um 1 (UM) mas sim um 2 (DOIS). Na verdade ao tentarem dissecar (desintegrar) o interior de um BOSÃO, afinal descobriram que no interior dele (Bosão) não estava uma partícula isolada que seria o UM gerador da vida, nem tão pouco encontraram o 0 (zero) ou vazio. O que eles conseguiram foi simplesmente partir o Bosão em dois e assim constataram que afinal o Bosão não era o Um, mas ele era hermafrodita: nele havia afinal um bosão-macho e um bosão-fémea.

Não encontraram pois a “partícula de Deus” a partícula geradora da vida - que dá a vida, mas encontraram sim e só – o DOIS – gérmen da multiplicação da vida, que a “formatiza” e a “põe em movimento”.

Vem pois, Abel amigo, visionar o que é que se passou nesse terceiro consílio dos deuses e que a Besta da Inquisição não deixou dele profetizar”.


EIS POIS O TERCEIRO CONSÍLIO DOS DEUSES NO OLIMPO

Quando todos os deuses se encontravam reunidos no Olimpo e já junto dos seus respectivos tronos, eis que surge resplandecente em suas vestes brancas e aureadas – JÚPITER – que esboçando um largo gesto em semi-circulo com o seu braço e mão direita lhes acena e dá permissão para se assentarem. E repentina e directamente lhes fala:

“Estamos todos aqui reunidos, após terem passados 515 anos sobre a viagem que o grande Luso Vasco da Gama fez à Índia depois de ter ultrapassado o então inimaginável, quer nas águas quer nas terras. É bem certo, que Baco, que sempre se opôs a que esse feito fosse realizado por humanos, e que sempre teve receio, de que tal evento lhe ofuscasse e roubasse mesmo, a glória e fama que ele conquistara e detinha em terras orientais, acabou ele BACO, por ser o grande vencedor face à Lusa gente.

E, porque é que Baco venceu? E porque é que os humanos, não resistiram às suas artimanhas?

De facto, hoje constata-se, que apesar dos Lusos terem levado para o Oriente o vinho, e cada vez mais hoje o Ocidente encharcar o Oriente com essa bebida afrodisíaca pertença de Baco, perderam a guerra final, pois não resistiram a ter inundado o Ocidente, com a droga de ervas secretas que de lá trouxeram.

É verdade que Baco não foi originariamente membro constitutivo da nossa Família Olímpica. Ele é um “estrangeirado” e um “penetra do nosso Olimpo”. Ele, contrariamente às nossas raízes, é simulado e hipócrita, pois aparentando dar meios aos humanos de estes serem felizes, alegres, e pô-los voando na fantasia e na ilusão. Na verdade, ele destrói-os, animalizando-os, não os deixando evoluir, crescer em espírito, e obstando definitivamente a que os humanos possam aceder até nós.

Por isso, é que ele Baco, satânicamente, se opôs sempre à Lusa gente, pois a Fé deles no Puro Amor, e a Esperança deles, em que a alma dos humanos pudesse atingir o Olimpo e connosco coabitar, jamais por ele poderia ser permitido ou consentido.

É certo que alguns “Cavaleiros do Amor” pertencentes à Lusa Gente, tentaram expandir por todo o Globo, a Fé no Amor Puro. E se tal tivessem conseguido fazer, tinham na verdade aniquilado Baco, pois nem mesmo Nisa teria impedido que a memória de Baco se tivesse definitivamente apagado. Baco porém, não perdeu a sua fama e glória no Oriente, e pelo contrário a reconquistou e engrandeceu até no Ocidente. Baco, deu um presente envenenado aos humanos ao permitir-lhes que eles se “alienassem” no ilusório, e encontrassem o seu prazer máximo em meras bacanais, destruindo-se a eles, e à missão que eles deveriam ter cumprido na Terra.

Como os humanos a ele não resistiram, e hoje toda a humanidade se encontra embriagada não só pelo vinho, mas muito mais pelo egoísmo ateu, e pela droga fumada, só sabendo da natureza consumir, só sabendo consumirem-se mesmo a eles próprios, e em guerras se auto destruindo, e conspurcando inclusive, a centelha do fogo divino, que Prometeu, atraiçoando-nos, a eles tinha transmitido. E desrespeitando a própria lealdade e confiança por eles devida a eles próprios, e também a nós devida, e da própria Lei da vida se afastando quotidianamente, subvertendo não só o respeito pelo próprio corpo deles, como sufocando, paralisando, e destruindo a “Anima” de cada um, que por benefício de Vénus, de Diana e de Tétis nós tínhamos acedido que lhe acalentassem o “elan vital”.

E sobretudo, verificando-se que os humanos – incluindo a raça Lusitana – são assim, e cada vez mais, totalmente incapazes de fazer mover o mundo para o Belo, para o Bem, e para a Paz.

Aqui e agora decreto:

Que toda a Humanidade – que por nosso acto divino fora criada – e autorizada a viver cada vez melhor e para subir mais alto; e que apesar de pela maior parte de nós ter sido sempre protegida e acarinhada – não cumpriu sua missão, e mais que isso, com a sua altivez, nescitude, e arrogância põe mesmo em perigo a estabilidade e felicidade do nosso próprio Olimpo.

Determino:

Que toda a Humanidade, que se está destruindo a si mesma, e destruindo a própria Natureza terráquea, e destruindo o próprio respeito e culto que aos Deuses deve, seja ela própria destruída e aniquilada pelo fogo ígneo.

Parta pois Vulcano, e conforme foi feito a Sodoma e Gomorra destrua toda a terra.

“Espera, oh Padre, espera oh Padre nosso”.

Lhe suplicou nesta altura a Deusa Vénus: Retém tua ordem e escuta a minha súplica:- É certo que a humanidade se extraviou do caminho que para ela fora traçado e mandado cumprir pelo FADO. Mas Padre eterno, recorda e olha. É também certo, que a Lusa gente se deixou corromper pelo vil metal e após ter espalhado seu Império desde a Aurora do Levante até ás terras extremas do Ocidente se deixou inebriar definitivamente por Baco, alcoolizando seu corpo e drogando seu espírito, afastando-se da missão que lhes tinha sido confiada.

Mas se eles efectivamente “o néctar que Noé lhes deu”, o trouxeram para a Índia e o Oriente, também é verdade que eles quiseram continuar na Índia, o trabalho que Tomé já lá iniciara. Foi por isso que Baco não queria que eles à Índia chegassem.

Além disso, também trouxeram com eles essa “Pedra Angular da Paz” e com ela, construíram por todo o Globo, Fortalezas para defesa dos corpos, e Igrejas para defesa das almas. Nunca antes deles, houve civilização alguma que tivesse “exportado pedra” pelo mundo fora.

… Padre Eterno,
Nenhuma Raça, Povo ou língua construiu na Terra e em todo o Universo um Templo de Amor como os Lusitanos.
Qual Amor de Romeu ou Julieta
De Hamlet e Ofélia
De Otelo e Desdémona
De Tristão e Isolda,
Do Rei Lear e Cornélia
De Dido e Adriana
Se compara ao Amor de Pedro e de Inês?
Qual? Onde?

Nunca no Cosmos, se viu tal paradigma de Amor que levasse o amante a fazer da sua amada uma Rainha, mesmo depois de morta. Nunca tal se viveu e sentiu! Nem sequer aqui no Olimpo – tão grande amor foi vivido por qualquer de nós.

Qual Povo, qual Língua, qual gente sentiu e cantou:

“Que se Amor não se perde em vida ausente,
Menos se perderá por morte escura;
Porque enfim, a alma vive eternamente
E Amor é feito de alma, e sempre dura”.
“Manda-me amor que cante docemente
O que ele já em minha alma tem impresso”
“Tu, Só tu, Puro Amor”.
Que Gente, que Língua, que Povo teve como Rei, ser humano que em vida e por vida de seus sucessores, se despojasse da sua própria Coroa Real para a depòr sobre a cabeça da Rainha do Amor? Daquela que com o seu pé esmagou a cabeça de Serápis?

Qual Povo, qual Rei, qual Língua, é que poria nome a Terras grandes e ricas por eles descobertas de “Terra do Santo Lenho” no qual o “Escravo do Amor” foi pregado e morto?

Pai Júpiter: Este Povo, esta Raça, esta Língua não merece ser extinta pelo Fogo de Vulcano.

Minha Filha – lhe retorquiu Júpiter – será que nessa tua gente Lusa, ainda hoje encontras 50 famílias ou clãs justos?
Padre meu, talvez 50 não, talvez menos 20.
Será então que encontras lá trinta clãs justos?
Talvez menos quinze meu Senhor.
Achas então que entre a Lusa gente ainda encontrarás quinze clãs que sejam justos?
Meu Senhor e Padre Eterno, pelo menos Oito, (dois elevado ao cubo) ainda sei que seguem o verdadeiro AMOR, que com vontade e sinceridade procuram a Paz na esperança de encontrar o Belo e o Bem, e de dormir finalmente nos braços do PURO AMOR.

Então determinou Júpiter:

“Vulcano! a palavra de Rei, não volta atrás, destrói pelo teu Fogo a Humanidade terrestre, mas por ter achado justiça perante o Amor, deixa vivo esse RESTO – esses OITO clãs da gente Lusa, para terem a derradeira oportunidade de encontrarem o Belo, o Bem, a Paz e a Luz do Amor Imortal, a LUZ DO PURO AMOR.

ESTÁ FEITO.