O Culto e a Cultura


1. Os «Conferencistas do Casino» e a República Positivista

Nas bibliografias dos vários doutores, sábios e santos que, no decurso de dois milénios, se vieram sucedendo na Igreja, ressalta ao leitor atento e paciente a constante preocupação e a permanente ocupação dos pensadores católicos de maior celebridade, fama e santidade. Efectivamente, na resolução dos problemas, na descoberta dos segredos e na meditação dos mistérios, em suma na actividade da razão, decorreu a vida nem sempre pacífica dos homens que, com maior entendimento e responsabilidade viveram a doutrina católica tradicional.

Quem, reflexionando sobre esta constância, não duvidar da incontestável fé dos santos doutores, perguntará surpreendido qual o motivo de tanto esforço humano. Pois quê: não é então verdade que, se o homem cumpre á risca todos os preceitos e ditames da Igreja será, ao fim e ao cabo, digno de merecer a salvação? Para quê, portanto, estes sábios doutores, que depois foram santos, dedicam a sua vida a tão profundos, laboriosos e pacientes estudos, na tentativa de conciliar a sua razão com a fé? Porquê, firmar numa filosofia uma apologética que articulasse o culto católico com a cultura do seu tempo?

Textos de Francisco Sottomayor

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