A propósito de René Guénon

René Guénon é, decerto, o mais importante intelectual e pensador, diremos, exactamente, «metafísico», do tradicionalismo ocidental. Na sua vasta e notável obra, estabelece o contacto, a ponte e a ligação entre o tradicionalismo ocidental e o tradicionalismo oriental, demonstrando, mediante pacientes, penetrantes e agudíssimas escavações nas legendas, nos mitos e nos símbolos, quer ocidentais, quer orientais, que uma mesma e única tradição existe, embora diversamente repartida pelos lugares e pelas épocas. A essa tradição chamou «primordial» e, dentro da linha que nos é própria e peculiar, podemos afirmar ser aquela tradição que inspirou e se exprime e manifesta nos «textos bíblicos».



EÇA DE QUEIRÓS

Eça de Queirós não foi apenas um romancista. Foi, também, um doutrinador. Tendo convivido em Coimbra com Antero de Quental, a quem mais tarde, numa página célebre, chamou «O Santo», profundamente influenciado pela corrente, que era nova no seu tempo, do realismo francês, formou, com a «geração de 70», um grupo que nas famosas «conferências do Casino» procurou demolir o que os da sua geração consideravam «fictício» e «postiço» no constitucionalismo romântico e liberal do seu tempo, romantismo português que, se conhecia muito bem os românticos franceses e o espírito francês da primeira metade do século XIX, de algum modo mal conhecia, ou quase desconhecia, o romantismo alemão, de que a figura central é Goethe, o seu expoente mais alto e mais representativo.



INTERPRETAÇÃO DE

SAMPAIO BRUN0

Interpretando livremente o grande portuense no profundo sentido da sua obra, parece-nos que em Sampaio Bruno o homem se reconhece, a partir de dado momento, como um ser espiritual em evolução num mundo plástico e povoado de seres espirituais («Ideia de Deus», pág. 178). Este momento consiste no acesso a uma relação psicológica superior, no plano da qual a experiência filosófica é possível, à qual cada um e todos estão naturalmente destinados.


Textos de Luís Zuzarte

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A propósito de Heidegger e Holderlin

O nosso meio intelectual talvez não tenha reconhecido ainda que a cultura alemã é muito mais importante no concerto dos países civilizados e cultos do que a cultura francesa. Cultura brilhante, talvez demasiado facilmente brilhante, e cultura sobretudo literária, à cultura francesa - contra a qual nada temos, a não ser a intenção de a situar no seu merecido lugar entre as culturas europeias - falta aquela rigorosa fundamentação do pensamento bebida nas mais verídicas fontes, como a tem a cultura alemã, assente nas suas universidades e construída pelos seus mais notáveis filósofos e poetas. Os Românticos e os pós-Românticos Alemães formam uma plêiade ímpar na cultura europeia, que não tem igual depois dos fenómenos representativos da Idade Média e do Renascença, e que bebe a sua ideia e a sua idealidade na mais verídica cultura antiga, plena de beleza e de verdade.


O Mito de Diónisos

Num artigo recente referimo-nos ao estudo que o filósofo Heidegger escreveu sobre o poeta Holderlin, esse poeta louco de Diónisos, que ombreia com Nietzsche nessa singularidade, já que este foi o filósofo louco de Diónisos. Proponho-me agora abordar a relação entre Diónisos e Cristo, já que Diónisos é, na mítica grega, o deus que corresponde ao deus crucificado e, assim, é crucificado na alma do mundo, ou melhor, na alma da terra, pois tal é a característica própria de Diónisos.