Documento exarado em 628 d.C. em Medina

pelo Profeta Muhammmad


Convénio de Imunidade

com os Monges do Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai

Nota:O Mosteiro de Santa Catarina do Sinai (Egipto) está localizado no sopé do Monte Moises, no Sinai. Foi construído por ordem do Imperador Justiniano, a partir de 527 d.C., e edificado em redor de uma pequena capela que marcava o local onde o Profeta Moisés deparou com a Sarça Ardente. Um monge do Sinai teve, certo dia, uma visão do local onde se encontrava o cadáver de Santa Catarina, mártir cristã, e tendo, de facto, sido encontrados, no mais alto pico da montanha do Sinai, não longe do Mosteiro, os restos mortais da Santa, o seu nome ficou para sempre ligado ao Mosteiro.

O Mosteiro, de monges gregos ortodoxos, é um dos mais conhecidos do mundo, e está repleto de importantíssimos documentos e peças de grande antiguidade e valor. O seu mais importante espólio, contudo, é o acervo de manuscritos com iluminuras, o segundo maior do mundo, apenas ultrapassado pelo Vaticano, e que consiste em cerca de 3.500 manuscritos redigidos em Grego, Copta, Arábico, Arménio, Hebreu, Siríaco e ainda textos Eslavos e em outras línguas. No seu interior foi também edificada uma pequena mesquita Fatimida. O Mosteiro está rodeado de formidáveis muralhas, que durante 14 séculos se mostraram instransponíveis e capazes de resistir a qualquer adversidade.

Em 625 d.C. os monges do Mosteiro de Santa Catarina foram visitar o Profeta Muhammad, em Medina, a quem solicitaram protecção. Este pedido foi aceite e o Mosteiro recebeu depois, ditado e enviado pelo próprio Profeta, o documento com o teor do convénio - Ahad-nama, ou «convénio de imunidade» - que a seguir se traduz. Os Judeus, os Cristãos e os seguidores de Zoroastro são referidos, no Corão, como «o Povo do Livro», aqueles que seguiam Profetas e Mensageiros enviados por Deus, e a todos eles o Profeta atribui os direitos que estão exarados neste documento.

Texto do Convénio

Esta é uma mensagem de Muhammad ibn Abdullah, o seu convénio com todos os que praticam o Cristianismo, aqui ou em terras distantes; estamos com eles.

Na verdade, tanto eu como os ajudantes, os acompanhantes e todos os meus seguidores os defendemos, pois os Cristãos são meus cidadãos, e, por Allah, erguer-me-ei contra tudo o que os oprima.

Nenhuma imposição será exercida sobre eles.

Nem os seus juízes serão destituídos dos seus tribunais, nem os seus monges serão afastados dos seus mosteiros.

Ninguém destruirá uma casa dessa religião, nem a devassará, nem dela retirará qualquer coisa ou levará para a casa de Muçulmanos.

Se alguém o fizer, estará a quebrar a aliança com Deus e a desobedecer ao Seu Profeta. Na verdade, eles são meus aliados, e têm a garantia da minha protecção contra tudo o que os agrava.

Ninguém os obrigará a viajar, ninguém os forçará a lutar.

Os Muçulmanos deverão lutar por eles.

Se uma mulher Cristã casar com um Muçulmano, esse casamento só ocorrerá com a aprovação dela. Ela não será impedida de se deslocar à sua igreja para orar.

As igrejas Cristãs devem ser respeitadas. Não será dificultada a sua renovação nem a prática dos seus rituais sagrados.

Ninguém do Islão deverá desobedecer a este convénio, desde hoje até ao Último Dia.