O Génio Nacional

na Arquitectura Portuguesa


Neste trabalho de António Quadros, que constitui uma dissertação de licenciatura, o Autor pretendeu estudar a arquitectura portuguesa como manifestação do génio nacional.

Menos próximos ou mais estranhos a esta manifestação considerou os estilos da arquitectura gótica e renascentista; como manifestantes do gênio português considerou os monumentos românicos e barrocos.

António Quadros pretendeu, deste modo, introduzir no domínio da arquitectura o que já foi ensaiado no sector da literatura; isto é, interpretar as formas e os ritmos mediante uma simbólica nacional; coerente será que tenha utilizado os trabalhos congéneres em que João de Castro Osório denuncia os critérios estrangeiros que têm presidido à consagração dos nossos valores literários...

Apresentada na Faculdade de Letras de Lisboa, quer dizer, portanto, que sugerida pelos professores desta escola, a dissertação de António Quadros talvez indicie o reatamento de uma tradição do Curso Superior de Letras.

Referimo-nos às obras de Teófilo Braga, Leite de Vasconcelos e

Adolfo Coelho que, ao mesmo tempo que estudavam, como o autor de «As Modernas Ideias», a literatura portuguesa, fundavam a teoria da nossa etnografia.

Apoiado nesta tradição, António Quadros repudia a apreciação da nossa arquitectura por critérios estrangeiros que desçonhecem e contrariam a sentímentalidade portuguesa.

E pela mesma razão repudia a subordinação da arte arquitectural às técnicas da engenharia, subordinação que foi infelizmente consagrada no Congresso des Arquitectos, há pouco tempo realizado em Lisboa.

Embora tenha sido discutida pelos professores de «Estética e História de Arte», a dissertação de António Quadros pertence ao âmbito da filosofia. Queremos dizer que a estética de uma escola de belas-artes não é a mesma que a de um curso superior de filosofia.

Aquela pode ser uma disciplina normativa para educação de artistas e de artifices; esta é um método próprio da filosofia que consiste na interpretação simbólica das formas e dos ritmos.

Melhor seria distinguir até entre «teoria da arte» e «estética». Infelizmente, os estudos de estética não têm sido desenvolvidos entre nós, onde mais interessa a história das “artes plásticas” ou a história da arquitectura do que a especulação filosófica. O mérito do trabalho de António Quadros está, pois, em contribuir para uma disciplina pouco cuidada nos nossos ambientes culturais.